Erro
Aprende sozinha, sentindo a consequência do que fez.
Tropeça, cai… e da próxima vez olha por onde anda.
Suzana Cavalcante
Data Engineer I — Bradesco
Existem três maneiras básicas de ensinar:
Aprende sozinha, sentindo a consequência do que fez.
Tropeça, cai… e da próxima vez olha por onde anda.
Alguém mostra o que está errado e explica o certo.
“O céu é azul porque reflete o mar.” Você explica o que de fato acontece, de um jeito lúdico.
Usa o que já sabe para entender algo totalmente novo.
Você apresenta uma zebra e ela conclui: “É um cavalo listrado!”
Transformo dados brutos em decisões claras.
Um modelo matemático inspirado no cérebro: neurônios artificiais conectados em camadas, que aprendem ajustando a força de cada conexão.
Recebe os dados: números, pixels de uma imagem, palavras.
Cada neurônio combina o que recebe, dá um peso a cada informação e passa adiante.
Entrega a resposta: uma previsão, uma classificação, a próxima palavra.
Estudava como o cérebro produz o pensamento.
Autodidata, tinha só 20 anos quando os dois publicaram o artigo.
O artigo de 1943 “A Logical Calculus of the Ideas Immanent in Nervous Activity”
Estimulam o neurônio: cada sinal ativo soma +1.
O mínimo para disparar: se a soma chega ao limiar θ, ele dispara.
Funcionam como veto: um único sinal ativo impede o disparo.
Tudo ou nada: a saída é 0 ou 1, como um interruptor liga/desliga.
Clique nas entradas para testar
Entradas, soma, limiar e saída, como no cérebro.
Ligados em rede, calculavam funções como E, OU e NÃO.
Os cientistas calculavam no papel até chegar a um consenso.
A cada problema novo, alguém tinha que recalcular tudo.
Um neurônio artificial, sim. Uma rede que aprende, ainda não.
Criou o Perceptron no Laboratório Aeronáutico de Cornell, nos EUA.
A resposta é sempre uma entre duas.
A máquina Mark I Perceptron enxergava por uma “retina” de 20 × 20 fotocélulas. Já em 1958, numa demonstração para a Marinha dos EUA, o perceptron aprendeu a dizer se a marca de um cartão estava à esquerda ou à direita.
The New York Times, 1958 “O embrião de um computador que vai andar, falar, ver, escrever, se reproduzir e ter consciência da própria existência.”
Os dados que chegam, como os pixels de uma imagem: 0 ou 1.
A importância de cada entrada: positivo puxa para o 1, negativo para o 0.
Cada entrada vezes o seu peso, e tudo somado.
Se a soma passar de 0, a saída é 1; senão, é 0.
Clique nas entradas para testar
Lembra da criança? É a maneira nº 2.
O operador mostra uma imagem: um cartão com uma marca.
O perceptron calcula a soma e responde: esquerda ou direita.
Se errou, o operador aplica a regra de ajuste e os pesos mudam.
Depois de muitos exemplos, ele passa a acertar sozinho.
Regra de ajuste: peso novo = peso + erro × entrada
Se uma reta divide as classes, como no E (AND), ele aprende.
No “OU exclusivo”, nenhuma reta separa os pontos: sempre sobra um erro.
Com uma única camada de neurônios, a fronteira é sempre uma reta. O XOR precisaria de duas.
| x1 | x2 | saída |
|---|---|---|
| 0 | 0 | 00 |
| 0 | 1 | 01 |
| 1 | 0 | 01 |
| 1 | 1 | 10 |
Em 1969, o livro “Perceptrons”, de Marvin Minsky e Seymour Papert, mostrou os limites de uma camada só. O dinheiro para pesquisar redes neurais congelou por mais de uma década.
Resolve problemas não linearmente separáveis, como o XOR.
Recebe os dados e repassa. Não calcula nada.
Cada neurônio traça a sua própria reta.
Combina as retas e dá a resposta final.
Substitui o degrau (Heaviside) por uma curva suave.
A retropropagação do erro: a rede compara a resposta com o gabarito e manda o erro de volta, camada por camada, para ajustar cada peso.
Os dados vão da entrada até a saída e a rede dá um palpite.
O erro volta da saída até a entrada: cada peso recebe a sua parte da culpa e é ajustado.
As redes já sabiam aprender. Faltava força para calcular e exemplos para aprender.
Os computadores processavam tudo só no processador (CPU). As GPUs ainda não eram usadas para isso.
Ainda não havia redes sociais, dados públicos, textos digitalizados nem bancos de imagens.
0 de 1.000.000 contas · 0%
Redes feitas para imagens: um pequeno filtro desliza pela foto procurando padrões, como bordas, curvas e formas.
Lembra dos CEPs de 1989? Aquela rede de Yann LeCun já era uma CNN.
O MLP liga tudo em tudo; a CNN olha por pedaços.
Um filtro 3×3 desliza e marca onde achou o padrão.
A ReLU zera os negativos: só passa o que foi achado.
Guarda o maior de cada bloco 2×2 e encolhe a imagem.
Achata a imagem numa fila: cada neurônio liga em todos os 64 pixels e perde quem é vizinho de quem.
Um filtro de só 9 pesos desliza pela imagem e procura o mesmo padrão em todo lugar.
Redes que leem uma sequência, um item de cada vez, e passam adiante um resumo do que já viram: a memória.
MLP e CNN veem tudo de uma vez. A RNN lê em ordem e lembra.
A lembrança vai se apagando: numa frase longa, o começo some.
Tudo de uma vez · tamanho fixo · sem memória
Uma palavra por vez · guarda um resumo do que já leu
Tradução, corretor e prever a próxima palavra.
Previsão do tempo, bolsa de valores, consumo de energia.
Ditado, legendas automáticas e assistentes virtuais.
Células com portões que decidem o que guardar, o que esquecer e o que usar.
Uma “esteira” de memória de longo prazo e 3 portões: esquecer, entrada e saída.
Versão simplificada, com 2 portões (atualização e reinício): mais leve e rápida.
As peças que faltavam se encaixaram, e as redes ficaram profundas: muitas camadas.
max(0, x): rápida, e o sinal do erro não some em redes com muitas camadas.
Venceu o desafio ImageNet com folga, treinada em 2 GPUs de videogame.
Redes sociais e smartphones: bilhões de fotos, textos e vídeos todos os dias.
Deep = muitas camadas entre a entrada e a saída
Uma arquitetura que olha o texto inteiro de uma vez e descobre quais palavras importam para entender cada uma. É o “T” do ChatGPT.
Treina muito mais rápido e não esquece o começo do texto.
Cada palavra “presta atenção” nas que explicam o seu sentido.
Todas as palavras são calculadas ao mesmo tempo, nas GPUs.
Um lado entende a frase; o outro gera a resposta.
entende
gera, palavra por palavra
Cada palavra vira uma lista de números (um vetor), que funciona como um endereço num mapa de significados.
A rede só entende números; o sentido fica guardado neles.
Sentidos parecidos ficam perto: gato perto de cachorro.
rei − homem + mulher ≈ rainha
É o primeiro passo: o texto vira vetores antes da atenção.
atenção entre os vetores
Comparar vetores é comparar significados. Isso move muita coisa que você usa.
Acham pelo sentido, não só pelas palavras exatas.
Guardam documentos como vetores e entregam à IA o trecho certo para responder.
Como no Spotify e na Netflix: você e as músicas viram pontos; o mais perto é sugerido.
“Quantos dias de férias eu tenho?”
Manual do RH, p. 12
“30 dias por ano, segundo o Manual do RH.”
Uma rede neural do tipo Transformer, gigante, treinada com uma montanha de texto para fazer uma coisa só: prever a próxima palavra.
Rede neural ⊃ Transformer ⊃ LLM: um dentro do outro.
Calcula a chance de cada palavra, escolhe uma e repete.
Bilhões de pesos, treinados com bilhões de palavras.
Os pesos ajustados são o LLM: um “cérebro” já educado.
escala logarítmica: cada risquinho = ×10
Lembra da criança do começo? A IA aprendeu do mesmo jeito.
Lê uma montanha de texto, em pedaços (tokens), prevendo a próxima palavra.
Pessoas escrevem exemplos de boas respostas: ele aprende a ser assistente.
Pessoas dão notas às respostas; ele aprende com a consequência.
Três etapas, uma depois da outra, transformam a rede do slide anterior no ChatGPT.
“Explique fotossíntese para uma criança.”
“Explique respiração para uma criança. Explique digestão para…”
só continua o texto“As plantas usam a luz do sol para fabricar o próprio alimento!”
responde como assistente“Como eu faço um bolo simples?”
“Misture farinha, ovos, açúcar e leite; asse a 180 °C por 40 min.”
👍“Bolos são alimentos doces muito antigos.”
👎Ele prevê o que é provável, não o que é verdadeiro.
Inventa com confiança: fatos, números e até referências.
Só sabe o que estava no texto de treino. Busca e RAG ajudam.
Aprendeu com textos humanos e pode repetir os preconceitos deles.
Me indique um livro sobre IA escrito pela Suzana Cavalcante.
Claro! “Redes Neurais na Prática” (Suzana Cavalcante, Editora Futura, 2019) é uma ótima escolha.
Inventado!“Quem ganhou o jogo de ontem?” → chuta ou diz que não sabe
consulta uma fonte atual antes de responder
Agora é com vocês: perguntas?
Suzana Cavalcante · Data Engineer I — Bradesco · Palestra FATEC